Veja a importância do teste da orelhinha para a saúde dos bebês


Médica explica como identificar problemas de audição nos primeiros meses de vida

O teste da orelhinha é fundamental para detectar precocemente problemas auditivos em bebês O teste da orelhinha é fundamental para detectar precocemente problemas auditivos em bebês Imagem: Peakstock | Shutterstock

Desde os estágios iniciais da gestação, o desenvolvimento auditivo do bebê já está em pleno curso. Por volta da 20ª semana de gravidez, o pequeno ser em formação é capaz de captar os sons ao seu redor. Após o nascimento, essa jornada auditiva continua, culminando no momento em que a criança começa a emitir suas primeiras palavras, geralmente por volta do primeiro ano de vida.

No entanto, mesmo com um desenvolvimento aparentemente normal nos primeiros meses, uma em cada 1000 crianças pode apresentar algum grau de perda auditiva. Assim, torna-se necessário realizar o teste da orelhinha, uma medida crucial para garantir a detecção precoce de possíveis problemas auditivos e o desenvolvimento saudável infantil.

Quando fazer o teste da orelhinha?

O ideal é que o teste seja feito ainda na maternidade. Conforme a otorrinolaringologista pediátrica Juliana Caixeta, o exame é de extrema importância e simples de ser realizado. “O teste da orelhinha é rápido, indolor e não tem nenhuma contraindicação; sua realização ajuda a constatar se a audição do bebê está se desenvolvendo de acordo com o esperado”, explica.

A médica também destaca que a realização do exame permite diagnósticos precoces de problemas. “Quando o teste aponta alguma alteração auditiva no bebê, ele é encaminhado para a realização de exames complementares confirmatórios. Uma vez confirmada a perda auditiva, o bebê passa pelo programa de intervenção precoce, que inclui o uso de aparelhos de amplificação, terapia fonoaudiológica e, até mesmo, a cirurgia de implante coclear”, diz Juliana Caixeta.

Atenção ao desenvolvimento auditivo do bebê

É importante que os pais estejam atentos ao desenvolvimento auditivo do bebê. Segundo a otorrinolaringologista, quando a audição é normal, logo após o nascimento, ele é capaz de reconhecer o som da voz da mãe e diferenciá-la da voz de outras pessoas. No 5° mês após o nascimento, a criança identifica quando é chamada pelo próprio nome.

Aos 10 meses de vida, o bebê se concentra ao ouvir música, olha para familiares quando nomeados, compreende ordens simples e é capaz de identificar objetos pelo nome. Esse aprendizado avança rapidamente e, entre 9 meses e 1 ano e 4 meses, já fala suas primeiras palavras.

Não reconhecer e tratar uma deficiência afeta a capacidade de uma criança de falar e de compreender a linguagem. A deficiência pode conduzir a um baixo rendimento na escola, dificuldades de comunicação com os colegas, ao isolamento social e a dificuldades emocionais.

A deficiência auditiva de grau leve e moderado, geralmente mais difícil de ser detectada, tanto pelos familiares quanto pelos médicos, tem desenvolvimento da fala de maneira mais lenta. Já na escola, muitas vezes a criança pode apresentar dificuldades ou ficar irritada quando o barulho na sala de aula é intenso.

Na 20ª semana de gestação, o bebê já ouve os batimentos cardíacos da mãe e alguns sons externos Imagem: Nastyaofly | Shutterstock

Audição no bebê na barriga da mãe

O bebê começa a ouvir por volta da 20ª semana de gestação, ou 5º mês de gravidez, nesta etapa já é capaz de captar os batimentos cardíacos da mãe, sua voz e alguns sons externos. De acordo com Juliana Caixeta, o desenvolvimento auditivo do bebê é gradual. “No início ele só consegue processar sons de baixa frequência, e essa função vai se aperfeiçoando conforme a gestação avança”, explica a médica.

Os sons que chegam ao bebê são diferentes dos que ouvimos. “Por estar dentro do útero e dentro de uma bolsa cheia de líquido, os sons que chegam ao bebê apresentam distorções, a maior alteração ocorre no som das consoantes. Já que nas vogais, o tom da fala e as melodias musicais parecem ser bem reconhecidas entre o 6º e o 8º mês de gestação”, explica a otorrinolaringologista.

Outra particularidade é a tonalidade vocal. Estudos físicos mostram que os sons graves atravessam melhor as barreiras e chegam mais fortes que os agudos, devido à vibração que provocam no meio líquido. Juliana Caixeta esclarece que a audição intrauterina tem um papel importante na construção da relação familiar.

“A partir do 6º mês de gestação, os pais podem e devem conversar com seu bebê, colocar música para que ele ouça, além de estimulá-lo pelo toque e com carícias no barrigão, pois as vibrações causadas no líquido dentro do útero proporcionam ao feto também uma experiência tátil”, aconselha a médica, que também destaca a importância de o pai participar desses momentos.

“Assim, quando o bebê começa a ouvir a voz dos pais fica mais fácil criar vínculo e reconhecer semelhanças no período pós-natal”, finaliza a especialista.

Bebês e idiomas 

Os bebês constroem o conhecimento sobre o seu idioma já nos primeiros meses de vida. A partir dos primeiros contatos com os sons, se habituam ao ritmo característico da língua. Até os 6 meses de vida, têm uma incrível capacidade de identificar diferentes fonemas que se perdem progressivamente até o primeiro ano de vida.

Juliana Caixeta explica que é a partir dessa idade que os bebês brasileiros conseguem saber se estão ouvindo uma música em português ou em inglês, por exemplo. “Essa incapacidade de identificar os fonemas com clareza faz com que, a partir dos 2 anos, todo idioma apresentado à criança seja identificado, no cérebro, como segunda língua”, explica a especialista.

Assim, a única forma de o indivíduo ser considerado “nativo” é sendo exposto, de maneira frequente, a mais de um idioma antes do segundo ano de vida.

Por Bia Tahan





Fonte: Jovem Pan

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